2007-03-01

NESSES TRAÇOS II

Nesses traços
Lineares e baços,
Nesses dedos
Quentes e estranhos,
Perdi-me.
Sem estranhar
Perdi a razão,
Perdi então a noção.
Sem saber,
Já nem sei o que sinto,
Se é o calor dum corpo
De um estranho
Que me aquece o coração
Ou o pensamento
De alguém que já esqueci.

(Escrito a 14/02/2007)

2007-01-18

SÓ SEI SONHAR

Só sei sonhar,
Anseio mudar,
Nem sei porquê,
Nem sei o que quero.
Perco-me
Sem querer encontro.
Não encontro.
Espero,
Insisto.
Para quê?
Lutar por ti,
Sonhar contigo.
Teimosamente presisto,
Calmamente sigo,
Desisto,
Finjo não ser nada,
Passivamente acredito
Que o que sinto
Nao sinto.
Só sei sonhar,
Complicar
Enfim,
Nem sei porquê!

(Escrito a 16/01/2007)

2007-01-13

QUANDO O VEJO





Quando o vejo,
Quando vejo (os) seus olhos
Meu mundo pára
Meu coração dispara.

Seu olhar me seduz
Seu sorriso me ilumina
E que o sinto traduz-se em pura confusão
Um sonho da minha imaginação.

E as suas mãos,
(os) seus lábios
Tudo nele me faz sonhar
Me faz crer que posso voar.

(Escrito a 24/05/2004)


Para mim este é o poema mais bonito que escrevi. É simples e giro. È a inspiração!!!... :P

2006-12-21




(Foto de bart)

2006-12-14

Por vezes sonho que estou na escola, acho que no fundo ainda gostava de lá estar, Por um lado é muito mais fácil do que trabalhar, pois no trabalho tem de estar tudo correcto, os prazos têm obrigatoriamente de ser cumpridos, e no meu caso por vezes para o trabalho estar feito tenho que fazer horas extras. Quer dizer, eu não tenho que me queixar do trabalho, pois gosto de onde estou, e sabe bem chegar ao fim do mês e receber o vencimento.

2006-11-30

EM CONVERSAS...

Em conversas encontro o senso,
Só sofrendo encontro a verdade,
E a igualdade do que tenho
É em vão se penso no que tenho que pensar.
Não consigo separar o bem do mal,
Pois quando penso minha mente
Se divide em duas partes que não se entende,
E subameaça a fixa resignação do meu prazer.
Em jogos de vida e morte,
Contradigo o que já alguma vez pensei,
E o que penso é demais para viver,
É de súbito uma sacudidela do que sei.
Em conversas encontro o sentir,
A relação que sozinha não saberia encontrar
E, em palavras aflitas sem nexo,
Tudo acaba por se petrificar.
Acabo por ser o que penso ser,
E não o que instintivamente devia ser,
E se eu pudesse por cá ficar,
Quiça teria menos sentido viver.
Mas só assim tenho ânsia de saber,
Só assim posso sofrer,
Para ser mais feliz,
Para encontrar a autêntica verdade.

(Escrito em 2000)

2006-11-29

QUE FUTURO!



(Pintura de Monet)


Que futuro!

É a revolução,
A tecnologia a evoluir,
E a população a sobressair,
Para quê?
Para haver poluição,
Extinção, diminuição,
Desflorestação, salinificação,
Desertificação, tudo o que
A nossa despreocupada sociedade não antevia.
Mas parabéns!
Finalmente vivemos numa década destruidora,
Desvastadora e efémera de tudo pior.
Podemos apreciar os raios ultravioletas
À flor da pele,
Festejar com uma gostosa água,
Poluída ou salgada, conforme o gosto,
Comer alimentos sem saber de que são compostos.
Ai! Que saboroso!!!
Mas deixemo-nos de ironias
E, vejamos o que realmente nos acontece.
Temos de racionar, usar a mente,
Pensar, ter consciência
Que a culpa é nossa,
Tua e minha
De tudo isto ter acontecido.
Mas se...
Mas se tu...
Não tivesses evoluído,
E essa mente tua não tivesse ficado obstruída
Pela infelicidade de ter mais,
De criar mais, e mais pelo infinito.
Que futuro!
Ter em vez do amor
O sabor do óleo das máquinas,
Em vez de árvores
Muros de ferro sem aves.
A nação...
O mundo...
Se todos fossem conscientes
Sem querer poder e ser o mestre
O planeta talvez pudesse ser azul e verde.


(Escrito em 2000)


Ivone Neto